terça-feira, 6 de novembro de 2012

Futura ex-gordinha - #1


       A gordinha sofre. Não adianta vir com o repertório de defesa não, que não adianta. É ponto de referência, sim: - Tá vendo a loira, de blusa azul? - Não, qual? - Do lado da gordinha! - Ah, vi, que que tem?. Sempre assim. As gordinhas são descreditadas de possíveis romances, como podemos ver em: - Sim, seu ex tava lá conversando com uma menina, mas era gordinha, preocupa não. Não adianta querer ver revista de moda, porque nada dá certo. Roupa da moda, a nova sensação do momento, pode correr porque é cilada, Bino. Nenhuma gordinha vai conseguir entrar nessa nova onda. 
Não adianta falar que é satisfeita sendo gordinha, porque eu acho meio difícil. Nada serve, nada entra… Fazer compras, que é a melhor terapia do mundo, se torna o pior pesadelo existente. E aí você vai praqueles provadores que têm espelho de todos os lados e aquela luz que, não, não te favorece e devido ao tanto de espelhos você se vê de calcinha e sutiã por todos os ângulos, frente, costa, lado, lado/costas, lado/frente. Terrível! Vontade de pegar as roupas e sair rasgando dentro do provador. E claro, você sai sem roupa nenhuma porque a depressão fica tão grande que nada fica bonito, ainda mais com a nova cara emburrada. Cara emburrada, corpo gordo e coração doído. Eeeeee, nada melhor parar curar essa dor do que uma coxinha frita na esquina. Nada melhor. Além desse problema, temos o problema do medo constante. Se ladrão chegar, vai correr primeiro pro seu rumo, afinal gordinha não dá conta de correr!!! Vai pra algum lugar, vê a cadeira ou o banquinho e pensa: Vai quebrar, melhor ficar em pé. E diz: Nossa, fiquei sentada o dia todo. Sem falar da questão do biquíni. Gente, prefiro fingir estar com dengue do que ter que colocar biquíni. Super não gosto. Ôôô momento constrangedor! E ainda por cima quando decide viajar pro mato, e tem que fazer caminhadas pra chegar numa cachoeira ou num rio - não preciso falar do quesito: "ofegante".
Mas na minha opinião todo gordo é feliz. Sério. O gordo ama a comida mais que tudo. Eu amo comida. Amo. Nada me dá mais alegria do que comer uma coisa bem gostosa. E nunca vou esquecer de uma professora dizendo que o cérebro do gordo é diferente mesmo, que têm amor pela comida. A pessoa normal diz: - Hoje vou comer arroz, feijão e bife. O gordo, claro: - Hoje eu vou comer um arrozinho, com um feijãozinho e um bifinho… Faz até gestos. Comer é muito bom, é malaviloso. 
Enfim, faz tempo que luto contra a balança, Deus Pai. Nem sei há quanto tempo, mas imagino que desde os dezesseis, dezessete (época que surgiu o Big Tasty do Mc - a boca até encheu d'agua) e já passei por todas as dietas do mundo, acreditem: a dieta da calça, da proteína, da "USP", da sopa, da lua, dos três aaa (ar, água e alface), xis. Inúmeras, e sempre corria, fazia alguma coisa, mas sempre que chegava no marco de dois meses, tudo ia por água abaixo. Era uma pessoa dizer: Você emagreceu (e claro, pensar: duas gramas, talvez), que eu já me via como a Gisele Bündchen e pensava: TO MAGRA! E voltava a minha vida boêmia. A boemia. A boemia. Essa, sem sombra de dúvidas o principal inimigo que eu tive e tenho que enfrentar. Mas eu não passo um dia sem receber um telefonema do tipo: Bora beber. E eu acho que nos últimos anos eu fiquei saindo e bebendo durante seis dias da semana. Só não saía na terça porque afinal, terça não é dia de beber, né? Mas tirando ela, todo dia era dia. E bebia. E bebia. E claro, pit dog depois da balada, as quatro da manhã era lei: e não podia ser menos que um combo do Bulldogs de cheddar, fritas, molho verde e refrigerante. Quando algumas semanas terminavam, eu parava pra contabilizar o saldo e encontrava três idas à pit dogs. É muita caloria sendo ingerida. MUITA. 
Sem contar dos amigos. Não sei se Deus quis que eu fosse forte e acabou por colocar no meu caminho só maloqueiro bêbado. Nunca ninguém me ligava pra dizer: Saladinha hoje? (quando ligava também era motivo pra acabar a amizade). No mínimo era: Espetinho, cerveja? E as amigas mais íntimas gostam demais de cerveja então o passeio era bastante duradouro e caro. Muita cerveja. E cerveja incha. Lembro de uma segundona, meu irmão indo me buscar no trabalho, e hora que eu cheguei no carro ele disse: Djow do céu, você tá inchada! E quanto mais você bebe, mais fome você tem.. e sempre "aparece um pra testar sua fé" (como dizem os nossos manos do Racionais) e diz: Nossa, que fome, bora comer? Aí a frase ecoa na sua cabeça (fome, me, me, comer, mer, mer) e você se rende. E ao invés de pedir uma coisa assada.. "Desce um torresminho aí, não esquece o limão". E claro, exercício físico, só correr pra cama, depois pro banheiro, e etc.
GENTE, não tem milagre que adiante e nem santo que escute. Não precisa ser nutricionista nem nutrólogo pra perceber a loucura de uma vida dessas (loucura das boas, claro). Eu demorei demais pra ver o quanto isso é "mucho crazy" e pela primeira vez na minha curta vida, eu estou conseguindo manter a dieta por mais de 1 mês. Já estou no quarto. E fiquei muito receosa em fazer esse texto e pensar: Nossa, e se no outro dia eu voltar a engordar? Só que dessa vez é diferente, dessa vez eu nem considero mais dieta. Considero um #rehab. Eu sou doente por comida e bebida, confesso, e pro resto da minha vida eu vou ter que me policiar. E é melhor começar agora do que nunca. Eu to correndo todos os dias, quase. Essa se mostrou minha grande e imensa companheira: a corrida é F O D A (Bats, te amo!). É inacreditável como hábitos saudáveis mudam tudo. Mudam seu humor, sua pele, suas roupas (YES, MOTHERFUCKERS!!!!), sua autoestima que antes nem existia, e etc. Nesse #rehab eu vejo uma salada e eu babo, eu vejo uma coisa gorda e já penso: porra, velho, que tanto de óleo, pra quê isso tudo? E não existem segredos. Tudo o que você está CANSADA de ler é verdade. Os hábitos mudam, graças a Deus. Você não deve viver pra comer e sim comer pra viver. Bem autoajuda mesmo, sabe? 
É isso, estou no meu quarto mês de #rehab e eu amo ir a feira (amanhã é dia), comprar um monte de vegetais e cada dia criar um wrap diferente, uma salada diferente, um molho diferente e uma sopa diferente. A internet existe pra isso e eu tenho inúmeras divas que me mantém firmão na causa e os fit tumblrs são inacreditáveis também. Me perco horas vendo tudo, aprendendo tudo. Minhas amigas amadas que sempre me influenciam pro lado bom da coisa, que são amigas da gordinha (futura-ex-gordinha) mais feliz do mundo! Sempre com palavras boas e duras. Amo-as. Sem falar das que se encontram na mesma que eu. 
O texto de hoje foi só pra falar por cima. Um dia vou fazer um agradecendo as pessoas que hoje eu devo muita coisa, mesmo que algumas delas nem saibam que eu exista. E também escrevi porque eu quero que todos sejam testemunhas e se daqui a algum tempo vocês me encontrarem na rua e eu estiver gordinha novamente (não que eu já esteja magra, gente, pelo amor de Deus!!!) eu quero que vocês já cheguem me dando TAPA NA CARA (oficialmente permitido, heim - porém, reler a condição). Não tenho uma meta específica. A mais específica que tenho é: usar um short, olhar pras minhas coxas e pensar: UAU!! (como podemos perceber, levará um tempo ainda - but keep it up!!!!)
        Beijão de quem cansou de escutar: "nossa, ela é bonita, maaaasss..". 
MY ASS, GALERE. 
Fui.

Marilia Bilu, 7 quilos mais magra e mais feliz. Aeeeee!
















(nenhuma foto é minha).


xoxo.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O sorriso do gato de Allice.







E quando jogou a fumaça pra cima
Mais uma vez percebeu que a Lua que estava no céu era aquela.
Aquela que estava sempre sorrindo pra ela.
Um sorriso lindo, brilhante e contagiante.
Aquele mero fiozinho que representava tudo.
Representava aquele fio de esperança, talvez o último.
E outra vez parava pra tentar entender quando que
a sorte daquele sorriso cairia especialmente sobre ela.

O problema é que esse sorriso no céu dura uma semana
E logo em seguida já desaparece, deixando-a num breu sem fim
mostrando que tudo que vem, vai
mas que pode voltar mesmo assim
num ciclo infinito

E então ela nem se apega tanto à esse sorriso
E acaba gostando também das outras luas

Só que ela sabe que o danado vai voltar
E estará lá, mostrando, sem vergonha, a sua boca sorridente


Desacompanhado de qualquer estrela fajuta.








mb.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sossegue, coração.

Esse vai pra todas as Drama Queens do meu Brasil!

<3

Não se mate.

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.


Carlos Drummond de Andrade.


<3





xoxo, mb. <3

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Parede(s).




Aquelas paredes de concreto que construiu tempos atrás ao redor de tudo o que é, o que sente e o que pensa continuam intactas. As vezes elas tremem ao ponto da menina pensar que finalmente chegou o momento de  desabarem. Só que suspeito que não, na medida que conheceu o rapaz que tem paredes muito melhor construídas que as dela. Então, no interior dessas duas construções os dois se encontram talvez pensando as mesmas coisas, sentindo as mesmas coisas, temendo as mesmas coisas e querendo-as da mesma forma. Ou nao: talvez as paredes dele tenham sido construídas com propósitos diferentes. Mesmo assim, ela sempre fica olhando por cima dos muros tentando imaginar como é tudo do lado de fora e as vezes se imagina furando um buraco nelas e deixando a passagem livre pro que deve ir e vir, nem que sejam apenas sentimentos insensatos e desaconselháveis. Mas a covardia vence a coragem e ela jamais permitiria que tal passagem fosse liberada. Os devaneios são superados, as suspeitas mais ainda e a menina carrega suas paredes com uma argamassa especial cada vez mais, tendo medo, contudo, de nao ser sufocada lá dentro; afinal morrer vitima de suas próprias construções deve ser vergonhoso, não?




mb.







# Hurricane Drunk - Florence. <3




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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Cirandinha de Amor.




E no meio de tanta poeira,
de tanta areia no chão e no ar,
de tanto frio por fora e por dentro,
todos dançavam incessantemente.

O cantor, desdentado como metade dos que frequentavam a casa,
usando rasteirinha de couro, como todos da casa,
começou a cantar a música.
E todos deram as mãos,
fizeram aquele circúlo mal feito
e tão bem feito ao mesmo tempo.
Começaram a tal da ciranda.
Cirandaram
e sorriam
e gargalhavam
e cantavam
numa sintonia impressionante, como se tudo tivesse sido ensaiado antes.

Claro, a música era sobre o amor:
"E sem saber direito a hora e o que fazer
Eu não encontro uma palavra para te dizer
Ah! se eu fosse você eu voltava pra mim de novo

E uma coisa fique certa, amor
A porta vai estar sempre aberta, amor
O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar"


E mesmo cheia de devaneios na cabeça,
a menina que sempre estava fora das cirandas percebeu
que não só a música celebrava o amor.
A ciranda inteira celebrava o amor.
A dança inteira celebrava o amor.

Não apenas pelo fato de que isso era perceptível pelo ar,
mas pelo pulsar inexplicável do peito,
pelo arregalar  instantâneo dos olhos,
pelo sorriso que se abria cada vez mais involuntariamente.
E, entre o arrastar dos pés,
da coro sem fim,
das saias esvoaçantes
e das mãos levantadas e unidas,
todo o lugar celebrava o amor.

E como se ninguém estivesse percebendo,
a mesma menina olhou bem ao fundo e notou que,
no centro de toda aquela baderna organizada e feliz,
no centro do centro daquelas rodas que giravam sem parar,
existia um casal que se beijava no ritmo de tudo aquilo.
e se abraçavam como se fosse o fim do mundo.
se acarinhavam como se fosse o fim do mundo.

E toda aquela movimentacão ao redor daquele casal estático
fez com que a conclusão fosse instantânea.

Naquela noite tudo e todos celebravam o amor.
o amor venceu a loucura,
venceu a bebedeira,
venceu a insanidade. 



marilia bilu.





 


 ((( http://www.youtube.com/watch?v=Uj69QLaRWPg )))





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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Cold in the desert.

Passou rímel à prova d’água sem saber como lhe seria bom.
O desânimo tinha lhe caído de uma hora pra outra
Até rejeitou cerveja.
Sem pensar em nada, sem se preocupar em nada.
De repente ouve e não acredita.
Claro que não acredita! Como assim?
Liga.
No tom da brincadeira, dentre tantas, viu que era verdade.

E percebeu que sua vida e a dele se resumia em uma palavra.
Espera. Talvez duas, espera dele. 
Esperou tudo, tanto. Esperou o beijo. Esperou que ele aparecesse. Esperou qualquer piscadela, qualquer aperto de mão diferente, qualquer brincadeira diferente. Esperou o fim de semana pra ligar pra ele. Esperou qualquer viagem. Esperou qualquer show. Esperou todos os seus planos. 

Viu o quanto a espera era idiota e decidiu parar de esperar.
Foi esperar em outros o que nele sempre acabava sendo o final. 
E a espera ficou em espera. Às vezes escondida, às vezes inexistente, quem sabe.

E a danada voltou. E voltou dez vezes mais forte, parecendo que ficou revoltada por ter sido colocada de lado. A espera apelou e voltou muito mais preocupante, perversa e doentia.

A espera da próxima vez, a espera do próximo abraço, a espera da próxima risada, do próximo cafuné, a espera da sua volta.

E pensar que eu não tinha percebido o porquê do dia ter esfriado tanto.
Aqui dentro virou um inverno.

sábado, 2 de julho de 2011

Conto sem título e sem desfecho.

No fim de semana em que os pais viajavam ela era produtiva.
Cozinhava, lavava, trabalhava. Virava a legítima dona de casa. Se sentia a dona de casa. Mas isso era durante o dia. De dia dona de casa, a noite outra coisa não definível. Infelizmente não definível, até ela mesma achava-o.
Depois da novela, ela vai pra sacada e aprecia a vista da cidade. Acende o cigarro e pensa, pensa em tudo. E de repente, o celular silencioso começa a tocar a tirando de todo o seu universo interior. A conversa começa bem, calma, mas ao mesmo tempo constrangida mesmo sem entender o porque desse constrangimento. Mas ele está lá, em ambas partes da ligação. E claro, ele tinha que começar a falar as babaquices que ela tanto odiava. Não sabia se as odiava porque eram mágicas demais ou verdadeiras demais. Quem sabe verdadeiramente mágicas. E tudo começa a acontecer muito rápido, a raiva dela sobe muito rápido, a fala dele sobe muito rápido. E nessa guerra de flechas, o sentido da conversa se perde mais uma vez, a deixando mais uma vez sem saber como agir e principalmente como pensar - os paradoxos dele eram demais pra cabeça dela. Ou pro coração, ninguém sabe. A calma volta a conversa. O constrangimento, dessa vez ainda maior, também. Conversa nada. Não tinha mais conversa e os dois sabiam disso. Piadinha dali, risadinha de cá e, de repente, um acontecimento repentino que precisa tirar um deles da conversa. 
Nenhum dos dois sabe o motivo de tudo isso. Ele imagina, ela suspeita. 
Mas, mesmo ela não querendo admitir e ele não querendo acreditar, os dois sabiam que o outro estava do lado de lá, sentindo e pensando a mesma coisa. Raciocínios sem fim e hipóteses mil para todas as partes da conversa. Ela foi fumar outro cigarro e ele foi fumar outro charuto, cada um com sua música. 
Dormiam. Acordavam. Ingeriam a conversa. Digeriam a conversa. Se falavam e decidiam se encontrar. E era maravilhoso, mesmo ela sabendo e ele não, que se sentia cada vez mais saturada daquilo: ela sabia que sua vida não pararia por causa dele. 
Disseram-me que conto é uma história sem desfecho.
Esse aqui é um.